terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conto [2]

Chego na delegacia e dou de cara com uma figura conhecida.


-Senhor Paulo César?

-Dorisgleison!-ele me recebeu com um abraço, o sorriso estampado em seu rosto.- Há esperança, ele ainda pode estar vivo!

- O que?

-Por favor fale com o tenente, ele saberá explicar melhor do que eu!

O senhor Paulo César era um rico dono de banco, cujo filho tinha sido seqüestrado a um mês atrás, foi o meu ultimo caso antes de me afastar da policia, eu não entendi quando ele me disse “há esperança, ele ainda pode estar vivo” eu mesmo tinha encerrado o caso e dado o menino como morto.

Chego a porta da sala do tenente, paro e respiro fundo, o que quer que esteja acontecendo vai me fazer ficar arrependido de ter levantado da cama.

- Com licença, tenente.

-Então, o que o senhor queria falar comigo?

-É sobre o caso do filho de Paulo César.

-Senhor, eu já lhe expliquei o que aconteceu quando entrei no barraco, os dois bandidos discutiam, eu matei um e tomei um tiro no ombro, mas ainda tive tempo de ver o outro bandido atirando no menino e fugir.

-Tudo bem, mas ocorreu um imprevisto, acreditamos que o menino tenha sobrevivido.

-Mas isso é impossível, eu vi com meus próprios olhos o menino estava morto.

-O senhor Paulo recebeu uma carta, e nela os seqüestradores afirmaram que o menino está vivo, eles exigiram o dobro da quantia anterior dessa vez eles querem 500 mil dólares.

-Mas é impossível!

-Dorisgleison eu só quero lhe pedir um favor.

-O que é?

-Cuide deste caso, sei que você se afastou por causa do tiro, mas você é meu melhor homem. Não estou lhe pedindo como chefe, mas sim como seu amigo- Ele parecia estar pedindo isso como se o filho fosse dele mesmo, essa é uma das poucas coisas que eu sempre odiei no tenente, seu poder de persuasão era incrível.

- Quanto tempo até a data marcada pelo seqüestrador?

-Quatro dias, sabia que você não Ia me desapontar!-disse ele em um tom confiante.

Saio da sala e já sou abordado pelo senhor Paulo.

-E então, ele pode estar vivo não é? Por favor, tome conta do caso, e traga meu filho de volta pra casa!

-Senhor, eu estou cuidando do caso, mas a essa hora se eu fosse o senhor, eu desistiria de pensar que seu filho está vivo, apenas vou procurar o seu assassino.

Depois que percebi como tinha deixado P.C. deprimido dei as costas e sai da delegacia, entrei no meu carro e dirigi até o meu apartamento, precisava de um banho frio e uma longa tarde relaxando, pois os próximos três dias eu não ia ter descanso.

De uma coisa eu sabia P.C. Júnior estava morto. O que eu não entendia era quem e por que tinha mandado a carta de resgate ao senhor Paulo. E quem era o bandido que conseguiu fugir a um mês atrás?

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